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A ciência como vocação

16/11/2007

Para Weber explicar a ciência como vocação, ele trata de vários conceitos necessários para que a vocação aconteça, apareça. No começo de seu texsto ele apresenta um quadro comparativo entre a weber.jpgprofissão de cientista na Alemanha e nos Estados Unidos.

Nos Estados Unidos, quando um jovem inicia sua carreira de cientista, ele recebe um modesto ordenado fixo. Durante sua juventude ele se vê carregado de trabalho, pois recebe para exercer a profissão. Ele pode, portanto, ser despedido a qualquer momento. Para que isso não aconteça o jovem cientista americano deve corresponder às expectativas da sua instituição. E essas expectativas se resumem em apenas uma regra: “sala cheia”. Só assim ele permanece no cargo.


Já a Alemanha apresenta uma regra diferente. O jovem redige uma tese e é submetido a exames. Se for aceito, tem o direito de ministrar cursos com o assunto que desejar, mas recebe somente a taxa que os alunos pagam. Mas o jovem cientista não consegue dar o tanto de cursos que gostaria – apesar de poder dar quantos cursos queira dentro de sua especialidade. Os grandes cursos são ministrados pelos professores mais velhos, pois, tomar o lugar destes seria considerado um grande desrespeito. Sobra então aos jovens, os cursos secundários.


O sistema universitário alemão, atualmente, se orienta nas bases americanas. Os institutos de ciência e medicina são hoje, grandes empresas de capitalismo estatal. Mas o cientista alemão tem outra preocupação. Mesmo sendo o melhor cientista do mundo, se ele for considerado por seus alunos como um mau professor, isso representa a morte de sua carreira universitária.


Mas Weber desconfia do professor que consegue ter as duas aptidões – pesquisador e professor – bem desenvolvidas. Ele acredita que será mera coincidência se essas duas se encontrarem no mesmo homem.


Atualmente a ciência atingiu um estágio de especialização que antes era desconhecida. E é por esse motivo que podemos falar de uma “vocação científica”.


A primeira coisa que Weber fala sobre a vocação científica é que a paixão e o trabalho andam juntos. Sem a paixão pela ciência, o professor-pesquisador jamais possuirá a vocação para ser cientista. E a única solução para este seria procurar outra profissão. Quando o trabalho e a paixão atuam juntos, fazem com que surja a intuição. E ao contrário do que julgam os pedantes, a intuição não é menos importante na ciência do que na arte ou nos problemas da vida cotidiana.


A ciência demanda devoção por parte do cientista. Só quem se coloca ao serviço da ciência possui personalidade. Aquele que se dedicar de coração a sua obra conseguirá elevar-se à dignidade da causa que deseja servir. Pois o destino e o objetivo dos cientistas é um dia serem ultrapassados.


Para o cientista, é a experimentação que conduz à verdade. Ele tem a missão de provar que não existe nenhum poder misterioso interferindo no mundo.


E qual é a idéia que o jovem americano tem de seu professor?


Para ele, o professor é aquele que lhe vendo o conhecimento em troca de dinheiro, assim como o merceeiro vende repolhos a sua mãe. Jamais passa na cabeça desse jovem que seu professor possa “vender-lhe” regras para conduta de vida. Os estudantes alemães rejeitam essa concepção americana.


Mas o que é realmente a ciência como vocação para Weber?


A ciência é, atualmente, uma “vocação” alicerçada na especialização e posta a serviço de uma tomada de cosciencia de nós mesmo e do conhecimento das relações objetivas. A ciência não é produto de revelações, nem é de graça que um profeta ou um visionário houvesse recebido para assegurar a salvação das almas; não é também porção integrante da meditação de sábios e filósofos que se dedicam a refletir sobre o sentido do mundo. (WEBER, p. 47).


Nenhum progresso científico foi feito até hoje com base somente no fervor e na espera. “É preciso agir de outro modo, entregar-se ao trabalho e responder às exugências de cada dia – tanto no campo da vida comum, como no campo da vocação. Esse trabalho será simples e fácil, se cada qual encontrar e obedecer ao demônio que tece as teias de sua vida” (WEBER, p. 52).

Referência: WEBER, M. Ciência e política – duas vocações. Trad. Leonidas Hegenberg e Octany Silveira da Mota. 5. ed. São Paulo: Editora Cultrix, s/d.

Francielle Maria Chies

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